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Opinião
04/07/2022 - 06h23
As desconstrutivas campanhas eleitorais
Dirceu Cardoso Gonçalves
 

Embora a tônica das previsões para as próximas eleições indique que a disputa final seja travada entre Bolsonaro e Lula - que encarnam direita e esquerda - é verdade absoluta que não é por rejeitar a primeira que o eleitor está disposto a votar na segunda opção ou vice-versa. Há um grande contingente de brasileiros que prefere algo diferente, preferencialmente novo. Mas, lamentavelmente, a legião de homens e mulheres que se rotulam como a suposta terceira via nas eleições presidenciais não decolou. Alguns, como os tucanos João Dória e Eduardo Leite - que abriram mão dos governos de São Paulo e Rio Grande do Sul em busca da candidatura presidencial - perderam-se em meio ao caminho. E o PSDB patina hoje na possível indicação do senador Tasso Jereissati como um decorativo candidato a vice na chapa de Simone Tebet, feita candidata pelo MDB.

Cada dia tornas-se mais presente na lembrança de nós, que o conhecemos, a afirmação do ex-presidente Jânio Quadros que, para justificar a sua injustificada renúncia à Presidência, ocorrida em 1961, dizia ser nova a sua postura de renunciar quando “forças ocultas” não lhe deixavam governar, num país “onde não se renuncia nem a posto de inspetor de quarteirão”. O que assistimos hoje é que os propensos adversários de Bolsonaro e Lula provam, mais de meio século depois, que o polêmico homem da vassoura tinha razão.

Chegamos ao estado de polarização em que hoje nos encontramos por conta do insólito comportamento da classe política que, ao reassumir o poder depois dos militares de 64, com o objetivo de guardar diferença em relação ao período tido como de exceção, fantasiou-se de democrata e vendeu ao povo a idéia de que a democracia é o remédio para todos os males de uma Nação. Quem, na época, tentou desfazer a mentira, sofreu intensa perseguição dos temerários democratas de oportunidade. O certo é que, terminado o ciclo militar, reacendeu-se a disputa entre esquerda e direita, que só serviu para nos impor o atraso político e o impedimento da decolagem de novas e autênticas tendências e lideranças. Hoje, o que temos é a viabilidade explícita apenas dos representantes das duas vertentes que vão do centro aos extremos. O resto é tão dividido e não passa de uma aglomeração de nanicos que não se entendem. Uma pena!

Já estamos no segundo semestre. Dentro de algumas semanas a campanha eleitoral estará no rádio, na televisão e nos comícios. Na internet - embora de forma camuflada, ela já está faz meses. Mesmo, assim, o que se verifica é o embate negativo. O presidente Jair Bolsonaro é, certamente, o governante mais atacado e perseguido de toda a história do país e, do outro lado, Lula carrega o estigma de ter sido processado e condenado nos processos da Lava Jato, suspensos pela inesperada e surpreendente canetada do ministro Edson Fachin, que encontrou razões formais para tanto, mas não ousou anular os processos, ainda pendentes. O clima de campanha onde, em vez de propostas para o futuro, o que contempla problemas do presente e erros do passado.

Com toda essa atividade desconstrutiva que cercam os dois líderes da corrida ao Palácio do Planalto, supõem-se haver clima favorável ao surgimento de uma terceira liderança capaz de superar as arestas e oferecer ao Brasil uma nova alternativa. Mas, pelo que se verifica, essa possibilidade já naufragou. Para ocorrer, os dissidentes dos dois líderes teriam de primeiro firmar um protocolo de atuação e, em seguida, com toda sinceridade e desprendimento, chegar ao nome de consenso para todos apoiarem. Algo impossível num país onde não se abre mão nem da vaga de inspetor de quarteirão. Espera-se que o eleitor, mesmo com todo esse quadro ruim, vote da melhor forma e escolha os melhores governantes e parlamentares para o Brasil e os estados federados. E que os eleitos tenha discernimento para promover as reformas necessárias e as eleições seguintes sejam mais propositivas do que essas que se aproximam.


Nota do Editor: Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo e dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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