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Medicina e Saúde
25/05/2004 - 05h23
Pare de fumar: decidir já é o primeiro passo
Edra Domingues P. de Oliveira
 

O crescimento cada vez maior das cidades, o inevitável processo de industrialização, a busca por altos níveis de produtividade e as jornadas duplas e muitas vezes triplas impostas por nossa sociedade ultramoderna, estão desenvolvendo novos hábitos na população de todo o mundo.

Cigarro, gordura e café em excesso e exercícios físicos, lazer e legumes e frutas em falta são os primeiros fatores que desencadeiam doenças que se não tratadas podem provocar rapidamente graves problemas de saúde e até mesmo adiantar a morte. O câncer de pulmão é um desses, tratando-se de um dos maiores problemas da modernidade.

Atualmente, existem mais de 1,1 bilhão de fumantes distribuídos por todo o planeta, causando cerca de quatro milhões de mortes por ano. Se continuarmos nesse ritmo, vamos atingir a marca dos 10 milhões de mortes anuais em 2020, sendo que 70% ocorrerão em países em desenvolvimento, como o Brasil. Infelizmente, o tabagismo responde por 40 a 50% de todas as mortes provocadas por câncer, além de ser responsável por 95% dos óbitos causados por tumores no pulmão.

O câncer de pulmão é o de segunda maior incidência e é extremamente letal, pois a rica rede de vasos sangüíneos que transporta o oxigênio dos pulmões para o resto do corpo facilita a disseminação do câncer para outras partes do organismo e, geralmente, quando é descoberto outros órgãos já foram atingidos.

Esse tipo de câncer é o mais comum dos malignos, apresentando um aumento por ano de 2% na sua incidência mundial. A mortalidade por esse tumor é muito elevada e o prognóstico dessa doença está relacionado à fase em que é diagnosticado. O que vem preocupando a sociedade médica mundial é o aumento do uso do cigarro entre os adolescentes e, principalmente, entre as mulheres, que levadas pela dupla jornada encontram no cigarro uma maneira de extravasar o stress.

Por outro lado, houve um grande aumento da procura por apoio e recursos que ajudem a largar o fumo, o que tem gerado uma nova demanda: por soluções que apóiem os fumantes a pararem com o hábito de vez. Já foram realizados vários estudos que comprovam a dificuldade em concluir a remissão ao cigarro, um processo no qual as pessoas passam por várias fases, como a de conhecimento quanto aos prejuízos que podem ser causados e a decisão; a procura de ajuda profissional e dos familiares; e a manutenção quanto às recaídas, talvez a parte mais difícil.

Uma das grandes barreiras para superarmos esse problema é a visão limitada que temos a respeito do uso do tabaco em geral. O fumo é uma doença crônica que desenvolve outros males no organismo, e que deve ser tratado da mesma forma que trabalhamos com pessoas que possuem hipertensão arterial, diabetes e colesterol.

Felizmente, hoje temos uma gama de profissionais muito bem capacitada para atender a essa demanda social, cujo total que procura auxílio médico e terapêutico multidisciplinar é de apenas 5%. Considerando que o tratamento do fumante é uma prática recente em todo mundo, a cada ano surgem novos tratamentos e medicamentos que repõem a nicotina no organismo, diminuindo a dependência, seja por meio de adesivos, spray, goma de mascar ou outros métodos existentes.

O mais importante é o fumante entender como o fumo provoca males em seu organismo e o que fazer para paulatinamente parar com esse hábito tão prejudicial, tanto para sua saúde como das pessoas que te rodeiam, seus amigos e familiares.


Nota do Editor: Edra Domingues P. de Oliveira é médica oncologista da Oncocamp, especializada em tratamento de tumores de Campinas, SP.

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