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O presidente George W. Bush acaba de pedir MAIS US$ 50 bilhões ao Congresso para socorrer os gastos com a guerra no Iraque. A maior força armada do mundo amarga já, no Iraque, a morte de mais soldados do que aqueles que perderam a vida nos três primeiros anos da guerra no Vietnam, outro conflito em que, enfrentando guerrilheiros descalços e subnutridos, sofreu a mais humilhante das derrotas de sua história bélica. Os gastos militares especificamente destinados ao atual conflito atenuariam, consideravelmente, os efeitos da miséria no mundo. A evidência do absurdo, mormente num País de povo tradicionalmente pacífico como o nosso, induz a uma meditação mais aprofundada a respeito da relação custo/benefício da manutenção de dispositivos militares tão onerosos dentro de um contexto absolutamente desproporcional do poderio das Nações. Quanto custa a manutenção de uma força armada com poder suficiente para defender, com eficiência, um país contra agressão de qualquer outro? Afora a missão defensiva, cuja relatividade parece evidente em face das absurdas diversidades entre as potencialidades específicas de cada país, quais as outras atribuições entregues ao dispositivo militar em tempos de paz? Considerado o panorama mundial atual, os avanços tecnológicos e científicos e a crescente necessidade de técnicos para suprir a constante demanda de um mercado que cresce com rapidez geométrica, os gastos com universidades não teriam prioridade em relação àqueles despendidos com a expectativa de um conflito armado que não virá? As Nações pacíficas precisam dar toda transparência às metas de cunho militar que adotam nos dias atuais, pois, a globalização incontrolável da informação poderá ocasionar perplexidade junto ao senso comum do povo cuja contribuição fiscal tem substancial parcela destinada a gastos com uma força armada cujo modesto arsenal não habilita o confronto com nações mais poderosas. Há, dentre as inúmeras atribuições do estamento militar, atividades não bélicas, que são tão importantes quanto estas e que, todavia e lamentavelmente, permanecem desconhecidas do contribuinte. As academias militares têm currículo eclético e formam profissionais com capacitação específica para as atividades da vida civil, além daquelas de cunho eminentemente castrense. Tais qualidades, porém, não são dadas ao conhecimento do povo que ignora, até mesmo, quais as atribuições do pessoal armado em tempo de paz. Imensa parcela da população, mesmo nos estratos mais esclarecidos, ignora qual a função dos ocupantes dos vários postos na hierarquia militar a começar pelos mais baixos, como cabos e sargentos. A oficialidade superior, então, tem suas funções absolutamente ignoradas pela generalidade dos cidadãos. O assunto mereceria o status de matéria a ser administrada nas escolas, já que trata de corporações cuja tradição integra a própria História do País. A divulgação desses esclarecimentos atenderia, também, o aspecto político da questão do custo das instituições militares, dando ao povo o conhecimento dos serviços prestados ao País e a seu povo, mormente quando emergentes os anseios da classe por recuperação de soldos manifestamente franciscanos. Nenhum governo estaria mais capacitado a prestar tais informações ao povo do que a atual administração petista.
Nota do Editor: Homero Benedicto Ottoni Netto, advogado, juiz de Direito de São Paulo, aposentado e Coordenador da Comissão de Prerrogativas da 69ª Sub Secção da Ordem dos Advogados de Brasil - Atibaia.
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