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Medicina e Saúde
30/05/2004 - 16h03
Silicone sem mistérios nem preconceitos
 
 
Carolina Ferraz e Luana Piovani dizem que nunca colocariam próteses mamárias, já Danielle Winits e Luma de Oliveira não vivem sem seus peitos turbinados. Mas afinal, o que é certo e o que é errado? Quando optar pelo implante?

Para a cirurgiã plástica e especialista em Medicina Estética, Audrey Worthington, a decisão de submeter-se a uma cirurgia para aumentar ou diminuir a mama é uma decisão de foro íntimo, que tem a ver com auto-estima e bem-estar com o próprio corpo. "Cabe ao médico orientar o paciente para que não cometa nenhum exagero, nada que possa comprometer sua saúde física ou mental. A cirurgia plástica visa, antes de tudo, fazer com que o paciente fique bem consigo mesmo", tranqüiliza a médica.

O implante mamário é uma espécie de bolsa, em formato anatômico, como se fosse meia esfera, que pode ser preenchida com gel de silicone, solução salina, hidrogel e até com óleo de soja. Estas últimas ainda requerem mais estudos, mas as próteses de silicone ou soro fisiológico são amplamente utilizadas em todo o mundo.

A superfície do implante pode ser lisa ou rugosa (texturizada), explica a cirurgiã: "Quando implantamos uma prótese, automaticamente o corpo cria uma membrana em torno dela, como se fosse uma cápsula. Isto é uma reação natural do organismo ao corpo estranho que está sendo colocado. Esta cápsula tem células com propriedades contráteis e pode sofrer enrijecimento, causando dor e desconforto em alguns casos. Se a textura da prótese é rugosa, há uma maior aderência do implante a esta bolsa, diminuindo a possibilidade de contração capsular".

Os implantes podem ser colocados sob a glândula mamária (acima da musculatura peitoral) ou logo abaixo deste músculo", explica Audrey Worthington. "Isso varia de acordo com a melhor indicação para cada caso ou com a técnica preferida pelo cirurgião". A médica informa que para a colocação, são feitas pequenas incisões, de 4 cm, que podem ser na dobra da pele abaixo da mama (no sulco sumamário), ao redor da aréola ou na axila. "O mais comum é o corte abaixo da mama, mas alguns médicos usam o aparelho de videoendoscópio para a colocação via axilar" , revela.

As próteses têm diversas formas e tamanhos, "algumas são redondas, outras em formato de gota. Procuramos usar o implante que mais se harmoniza com o corpo da mulher", conta. Os tamanhos também devem ser limitados de acordo com o tecido mamário já existente. Por exemplo, uma pessoa com pouca elasticidade na pele não deve usar uma prótese muito grande, pois o implante pode ficar aparente ou com aspecto artificial. "Há alguns anos, o volume utilizado era menor, mas com a mudança dos padrões estéticos, hoje se implantam próteses maiores, geralmente entre 200 e 290 ml, do tamanho de uma xícara", propõe Audrey.

Com os avanços da ciência, hoje, a implantação de próteses mamárias é um procedimento seguro e tem deixado muitas mulheres satisfeitas com o resultado. No entanto, Audrey lembra que é um procedimento cirúrgico, que tem seus riscos e não deve ser banalizado. "Todos os exames pré-operatórios devem ser realizados adequadamente e sempre é bom fazer uma mamogarfia antes da colocação da prótese", indica.

A Dra. Audrey recomenda às pacientes que discutam todos os pormenores com seus médicos. "A paciente deve relatar corretamente seu histórico de tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, uso de medicamentos, reações alérgicas e histórias de cicatrização difícil. Tudo tem que ser levado em conta para que o resultado seja o esperado."

A cirurgia leva em torno de uma a duas horas e as mamas ficam um pouco inchadas e doloridas durante alguns dias. Alguns cirurgiões preferem colocar drenos por dois ou três dias. Audrey aconselha fazer drenagem linfática para acelerar o processo pós-operatório. "A recuperação é bastante simples e, não havendo nenhuma complicação, a paciente pode voltar ao trabalho em poucos dias", completa.


Nota do Editor: Audrey Katherine Worthington é cirurgiã-plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, pós-graduada em Medicina Estética pela Sociedade Brasileira de Medicina Estética. É também membro da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento, fellow do Serviço de Cirurgia Plástica da Free University de Amsterdã, na Holanda. Atualmente é diretora da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e coordenadora do curso de pós-graduação em Medicina Estética da FAPES - Fundação de Apoio à Pesquisa e Estudo na Área de Saúde.

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