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Crônicas
07/06/2004 - 16h38
Entre o Papa e os apóstolos dos césares
Dartagnan da Silva Zanela
 

Sempre que vejo a Sua Santidade o Papa João Paulo II pedir perdão pelos erros que a Igreja cometeu em nome de Deus, admiro mais a sua pessoa. Alguns podem até achar este tipo de atitude uma hipocrisia. Quanto a mim, vejo por outro viés, pois, além de apreciar muito essa sua atitude tomada várias vezes em sinal de humildade e arrependimento, aprecio também seus escritos de cunho filosófico-teológico que são obras dignas de serem discutidas no âmbito da academia, mas que, acabam como muitas obras neste mundo, ficando relegado ao desdém e ao ostracismo.

Alias, é raro nos dias de hoje vermos uma autoridade, seja ela Sacra ou mundana, se redimir diante da humanidade para pedir perdão pelos erros cometidos por outros só pelo fato de comungar dos mesmos princípios. E, no nosso caso, no caso de todos os Católicos Apostólicos Romanos, deveríamos também seguir o mesmo exemplo dado pro ele e nos redimir. Todavia, como a humildade é a última das virtudes a ser cultivada em nossos corações fica um tanto difícil vermos uma cena similar entre nós como as que nos é dada de tempos em tempos pelo Papa.

Mas mais curioso é o fato de vermos os seguidores do Profeta Karl Marx nunca tomarem a mesma postura, apesar de se acreditarem tão justos e beneplácitos. Alias, a vereda seguida por estes é avessa ao exemplo exposto acima. Os socialistas de hoje, não se reconhecem nas obras feitas no século XX por pessoas que comungavam dos mesmos princípios que eles como Joseph Stalin, Mao Tse Tung, Pol Pot e tutti quanti, alias, afirmam que tudo o que eles fizeram não tem nada a ver com o que eles pregam e acreditam que, só é socialismo o que for superior ao capitalismo senão, não o é, como afirma Paul Singer.

Então, isso quer dizer que atrocidades mais podem ser desencadeadas que a responsabilidade e a culpa jamais recairá sobre as costas de seus seguidores, pois a perfeição ainda está por vir. Já pararam para pensar nas implicações que uma postura desta poder trazer na transmutação dos valores que moldam uma sociedade?

Se sempre são as circunstancias de um contexto que são responsáveis pelos desvios de nossas ações e não nossa incompreensão da natureza humana, da nossa natureza e de nossas intenções, quer dizer que toda cacada é passível de aceitação desde que esteja com vistas a um mundo melhor possível, mesmo que seja meramente hipotético. Se der errado, não tem problema, pois já que não foi a realização de nosso sonho, não tem relação nenhuma conosco.

Em outras palavras, será difícil vermos um dia uma pessoa como Fidel Castro pedir perdão pelas vidas imoladas no altar da revolução, como também será deveras difícil vermos um dia um intelectual de esquerda quando se pronunciar pedindo perdão por ter defendido o Socialismo Soviético, pois, após a sua queda deletou-se todos os que diziam que aquele mundo era melhor que esse, cheio de imperfeições como todos nós. E com toda certeza continuaremos a ver intelectuais como o denunciado por Jean-François Ravel que simplesmente afirmavam que os inocentes devem morrer pelo fato de serem inocentes e que hoje, devem tecer hominídeas em nome da humanidade. Ou então, vendo ex-guerrilheiros que lutaram contra a ditadura dos milicos com vistas a edificar aqui uma ditadura cubana que, é claro, eles chamam de "democracia popular".

Aí lembro-me que muitos deste falam-nos que temos que ver a relação que há entre o discurso e a prática dos indivíduos. Pois bem, então vejamos, analisemos com paciência e parcimônia para chegarmos a consideração feita por Edmund Burk de que, aqueles que mais falam em nome dos trabalhadores, são os que menos fazem por eles.


Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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