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"É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito". Esta célebre frase de Albert Einstein nos mostra a complexidade do tema das cotas raciais, bem como sua difícil resolução. O governo federal está, através de uma medida relativamente simples, tentando amenizar as injustiças provenientes de uma discriminação histórica, utilizando um método questionável: cotas em universidades públicas. Todos sabem que as escolas particulares têm um nível de ensino superior às escolas públicas, o que, para o governo, justificaria a inclusão de um candidato com notas inferiores oriundo de uma escola pública ingressar na universidade, em detrimento de um candidato com notas superiores oriundo de uma escola particular. Este tipo de política, segundo especialistas, faria com que a qualidade das universidades públicas despencasse, uma vez que o nível intelectual dos alunos seria inferior. Além das cotas destinadas a egressos do sistema de educação pública, há a proposta de cotas para negros, índios e portadores de deficiência. O governo, além de discriminar o "branco", discrimina o próprio "negro", pois acaba considerando-o menos capaz e julga ser necessário uma "ajuda-estatal" para suprir a falta de inteligência do negro (sic). O mesmo vale aos índios e portadores de deficiência. A ineficácia desta medida já foi provada no resultado do concurso público para médico da prefeitura de Porto Alegre, no qual uma candidata "negra", que havia obtido uma pontuação extremamente baixa em relação aos outros candidatos, foi considerada aprovada, pois havia a necessidade da prefeitura em cumprir as cotas para "negros". O problema maior foi percebido quando se descobriu que a candidata havia cursado sua faculdade em uma universidade particular (Ulbra) e era filha de médicos, e que, portanto, não necessitava de condições especiais para ser aprovada, nem mesmo era "marginalizada". Este tipo de medida segregacionista lembra o apartheid africano, que agora, na versão brasileira, discrimina os que antes não eram discriminados, para assim, tentar fazer justiça. O Estado, percebendo a falência do sistema público, tenta, não resolver a situação, mas fazer de conta que o problema está no concurso vestibular. Além de lembrar a evidente inconstitucionalidade desta prática, uma vez que já há decisão por parte do STJ, vale lembrar uma frase que talvez George Orwell utilizaria para resumir a situação: "Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros". Nota do Editor: Matheus Teixeira da Silva é estudante.
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