|
A boca é um órgão muito importante do corpo humano. É através dela que fazemos o contato interno do nosso sistema estomatognático com o meio externo. Pela cavidade oral nos expressamos, seja este pela conversação, pelo choro, pelo sorriso, nos alimentamos (deglutição e mastigação) e até xingamos quando necessário... Não podemos esquecer de uma das formas de carinho mais lindas e mais antigas na história da humanidade: o BEIJO. Ah! Como é bom aquele beijo atrevido, apaixonado... Que gostoso sentir os lábios serrados no outro e deixar o coração se levar pela paixão... Mas, atenção: se você é do tipo que sai beijando qualquer um e não está nem aí para a vida, prepare-se para uma surpresa! Você sabe dos riscos de infecção causados pelo contato salivar alheio que está correndo ao dar um beijo numa pessoa desconhecida? A Herpes simples, mais conhecida como "sapinho" pode estar escondida sob aquele lindo batom vermelho e à noite, muitas vezes na ânsia de beijar "aquela gata" nos deixamos enganar e o vírus pode ser assim transmitido. A Hepatite também é outra doença de origem viral e pode ser transmitida pelo contato entre a mucosa da boca e a saliva. Alguns pesquisadores norte-americanos levantaram a hipótese da transmissão da AIDS (Acquire Immuno-Deficiency Syndrome) através do beijo, pois é comprovada a existência do vírus na saliva. Já outros autores acham possível somente se o beijo for muito prolongado e violento a ponto de provocar sangramento na mucosa. Portanto, o risco teórico existe. Nesta polêmica questão de via de contágio através do beijo, é preciso analisar alguns elementos sobre a ótica da Odontologia, ou mais precisamente do problema periodontal (gengiva). É sabido que a incidência da gengivite marginal crônica (inflamação gengival provocada por placa bacteriana) acomete a população mundial com índice elevadíssimos de 80% e um dos sinais clínicos da doença é o sangramento gengival através das macro ou micro-hemorragias devidas à vasodilatação capilar. Esta contém uma alta permeabilidade, a qual com uma simples pressão ou toque na área como, por exemplo, a sucção ou a mastigação fará com que o vaso se rompa facilmente e tenhamos um sangramento na região. Considerando estes fatores locais na cavidade bucal, é de se supor que um beijo na boca entre duas pessoas com gengivite é possível existir o mesmo tipo de sangramento gengival micro ou macroscópico em uma pessoa com ou sem a doença AIDS. Estando provado pelo mundo científico que o contágio se dá pelo ferimento, ou outra via de entrada qualquer, não seria possível a penetração do vírus no momento desse beijo através do sulco gengival? Nota do Editor: Profª Drª Luciana Aily Santos é Cirurgiã Dentista, Mestre em Dentística pela Faculdade de Odontologia da USP, leciona na FoUSP para alunos de graduação há 10 anos e em cursos de atualização de Estética Bucal há três anos para profissionais formados. Atua na área pediátrica e clínica geral.
|