|
Qualquer naturalista sabe que pesquisar a natureza é aventurar-se. A aventura com objetivos é uma das empreitadas mais emocionantes do ser humano. Às vezes o leva a situações perigosas ou, pelo menos, embaraçosas e cômicas. Certa vez, num sábado de manhã, fui até o Rio Escuro para verificar se os remanescentes de mata do local ainda exibiam espécies de um determinado grupo de plantas. Com minha mochila, meu boné e botas, lá fui. Entrei pela estradinha de acesso ao Sertão, andei até quase os morros e verifiquei que as Aráceas ainda apareciam pelas moitas sombrias. Muito feliz peguei meu caderninho e fui tomando nota das espécies. Voltava eu, cansada e vagarosa pela estrada, quando avistei uns homens avantajados fazendo uma casa. Continuei andando, mas um deles gritou para que eu parasse. A mim pareceu que ele queria saber as horas. Esperei que chegasse mais perto (um "negão" enorme) e ele perguntou, de dentro de um bafo cruel de cachaça: - Se é que eu mal lhe pergunte, qual é a função da senhora, aqui neste bairro? Adorei a pergunta, caí na risada e expliquei o que estava fazendo. - Ah bão! Ah, bão! Exclamou com respeito. O alívio dele foi enorme. Pela indumentária, pensou que eu fosse "da polícia". Essa não foi a única vez que me tomaram por alguém "da polícia". Tenho um baú de histórias dessas para contar. E tudo isso aconteceu por causa de uma de minhas paixões: As Aráceas. E que são as Aráceas? Esses imbés que andam por aí, que todo mundo corta e que tanto valor têm, fora do Brasil.
|