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COLUNISTA
Evely Reyes
10/07/2013 - 11h05
Preconceito contra não humanos
 
 
 
Evely Reyes 
  Uma cachorra de rua sendo alimentada por uma protetora de Fortaleza (CE), de nome Claudia.

No último sábado, aquele gato preto atravessou o salão da casa espírita com toda a serenidade de costume, mas em razão de ter sido chamado por alguém que estava na primeira fila, aproximou-se de duas crianças ali sentadas.

Tomei conhecimento de que essas meninas não convivem com animais e então naquele momento demonstraram o pavor que têm destes felinos. Ficaram perturbadas por que não costumam ter contato com bichos de nenhuma espécie.

A situação foi contornada com o afastamento do negro “artista” de quatro patas que de forma inteligente percebeu, com a ajuda de outra pessoa, a necessidade de seu iminente sumiço.

Era um evento espírita e o palestrante que se encontrava defronte às crianças aproveitou o ensejo para manifestar sua aversão a todos os bichos e de forma suave, com todas as letras esclareceu não gostar dos mesmos.

Minimizou seu preconceito enfatizando que numa próxima encarnação seria um protetor de animais e que assim acreditava poder compensar a sua atual animosidade em relação aos não humanos.

Recordei do pronunciamento de um famoso padre católico que no ano de 2011 trouxe revolta na internet de todos os engajados na causa animal ao revelar sua antipatia contra bichos, exatamente na semana de proteção animal, que é conhecida e instituída nos primeiros dias de outubro de cada ano, em razão do aniversário de Francisco de Assis, o grande defensor de todos os seres vivos.

De início, o sacerdote aconselhou literalmente aos fiéis que não trouxessem tais criaturas para as bênçãos costumeiras, mas diante da intervenção de um bispo ali presente, acabou por sugerir que ao menos não levassem gatos, pois estes “eram traiçoeiros”.

Seria cômico se não fosse tão absurdo.

Deixando de lado acontecimentos desagradáveis, otimista como sempre, tive a boa lembrança do pronunciamento de Milan Kundera – em “A Insustentável Leveza do Ser”, 1983.

- “A verdadeira bondade do homem só pode se manifestar com toda a pureza, com toda a liberdade, em relação àqueles que não representam nenhuma força”. O verdadeiro teste moral da humanidade (o mais radical, num nível tão profundo que escapa a nosso olhar) são as relações com aqueles que estão à nossa mercê: os animais. É aí que se produz o maior desvio do homem, derrota fundamental da qual decorrem todas as outras.

É flagrante o quanto as ideias pré-estabelecidas são destrutivas para nossa aprendizagem, pois contribuem para que as mentes fiquem arraigadas em conceitos determinados e inflexíveis.

São os chamados preconceitos, que têm como resultado não permitir a evolução e a abertura de novos horizontes.

O detentor de pensamentos radicais deste tipo pode ter diploma, mestrado ou doutorado e até dedicar grande parte de sua existência a inúmeras comunidades carentes como colaborador social, mas no caso em questão, será aquele ou aquela que discrimina e desconsidera outras espécies, pois no fundo de seu coração despreza os demais seres da Criação.

Aos olhos de muita gente estes comentários talvez sejam insignificantes, mas é bom refletir que são os pequenos entraves que podem fazer grandes estragos. Para algumas pessoas pouco desequilibradas a indiferença pode gerar uma antipatia maior e algumas vezes chegar a desenvolver manifestações de maus tratos ou até crueldade, pois o desprezo pode provocar o desrespeito, quando a mente é fraca.

Por isso é importante ter cuidado com as palavras a serem proferidas, pois podem ser mal interpretadas, principalmente quando levamos em conta que todos os seres vivos são constituídos da mesma essência e podem se tornar vítimas do desassossego de indivíduos perturbados.

Disse Chico Xavier: “Nós, seres humanos, estamos na natureza para auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção em que os anjos estão para nos auxiliar. Portanto, quem chuta ou maltrata um animal é alguém que não aprendeu a amar”.

Madre Teresa de Calcutá, outro ser evoluidíssimo, comentou:

- “Os animais foram criados pela mesma mão caridosa de Deus que nos criou... é nosso dever protegê-los e promover o seu bem-estar”.

"A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem. A compaixão por todos os seres vivos é a prova mais firme e segura da conduta humana", como bem dizia Arthur Schopenhauer, um filósofo alemão do século XIX.

Está comprovado pela ciência que quem convive com os bichos desde muito cedo, evita futuras alergias, pois seu organismo proporciona o desenvolvimento de anticorpos, ocasionando uma ótima saúde.

Baixos níveis de colesterol, de estresse, pressão sanguínea e menor risco de problemas cardiovasculares são alguns dos resultados positivos para aqueles que estão habituados e harmonizados com cães e gatos, além do aumento da produção de endorfina no organismo, que traz como decorrência uma enorme sensação de bem-estar e contentamento.

Há uma infinidade de informações que poderiam ser elencadas e que são demonstrativas dos benefícios que os bichos trazem aos seres humanos.

Comprovadas por meio de pesquisas científicas, só fazem enaltecer o admirável papel destes indivíduos irracionais, que tantas vezes se comportam de forma mais ética e respeitosa que alguns seres racionais.

Quanto não estará perdendo quem sente antipatia pelos animais...

Nós, protetores, bem o sabemos...

Otimistas, temos a certeza que chegará o dia em que a compreensão dessa grandiosidade fará parte da vida de todos.


Nota do Editor: Evely Reyes Prado, reyesevely@yahoo.com.br, paulistana, formada em Direito pela PUC-SP, morou em Ubatuba por vinte anos, onde aposentou-se pelo Tribunal de Justiça - SP e foi integrante da APAUBA - Associação Protetora dos Animais de Ubatuba. É autora de contos em Antologias diversas, e dos livros “Tudo Tem Seu Tempo Certo” e “Do Um ao Treze”, encontrados através do site www.scortecci.com.br.
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