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Motivado pela maravilhosa crônica de meu colega Douglas Mondo, publicada ontem, apresento ao seleto público d’O Guaruçá as minhas reflexões aos sessenta e cinco anos, quinze a mais que ele. Tive os mesmos sonhos e fantasias de meu colega. Um mundo melhor em futuro próximo era o meu sonho de adolescente, quando freqüentador dos bancos escolares. Era o sonho de meu finado pai que adotei como meu logo que me entendi como gente. Era o sonho dos religiosos que me ministravam aulas, quer de religião, quer de outra matéria qualquer que fizesse parte do currículo do rigoroso colégio interno onde tive minha formação básica para sair pela vida. E que vida! Hoje minhas reflexões, se diversas de meu colega, chega a resvalar em sua conclusão. Não perdemos a referência de nossa história, muito menos cada um de nós é insignificante na formação de nosso povo, não naquela sociológica tese vencedora de Gilberto Freire, mas na formação de um povo brasileiro feliz, menos corrupto, menos fisiológico, menos egoísta, menos ... Sessenta e cinco anos é bem mais que os cinqüenta do Douglas, mas ínfimo como tempo consumido pela história para se tornar registro útil para a humanidade. Entendo que caminhamos sob a luz dos fatos passados e presentes, quer sejam eles bons ou ruins, alegres ou muito tristes. A verdadeira história que deverá servir para base da construção de um mundo melhor é aquela que foi feita, pura e simplesmente foi feita. Não será a minha, do Douglas e de tantos outros contemporâneos, a geração que verá os frutos desses tropeços todos que damos agora - corrupção, fisiologismo, egoísmo -, mas tenhamos certeza, que ela virá, virá. E virá como um purgante que foi tomado para limpar os intestinos. Contudo meu caro Douglas, convergimos para a mesma conclusão. A nossa e as gerações vindouras se desvencilharão de todos esses percalços porque sempre haverá quem fará uso da pena como arma para combater a ignorância.
Nota do Editor: Herbert José de Luna Marques [1939 - 2013], advogado militante em Ubatuba, SP.
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