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A Revolução Francesa já havia nos legado o princípio do Estado laico, introduzida em nosso país pela constituição de 1899. Palavra de origem grega, passando pelo latim (laicu), teria por significado primitivo, aquele que é contra o eclesiástico. Hoje significa Estado independente e aberto para todas as religiões sem contudo se atrelar a nenhuma delas, inclusive por respeito a todos os cidadãos. É a pureza da democracia se manifestando no seu mais perfeito conceito. Respeitar a todos nas suas crendices, sem contudo sofrer ou demonstrar qualquer influência de qualquer delas (crenças). O discurso é bonito, mas tudo indica que estamos caminhando para rumo transverso. De longe o Brasil deixou de ser uma nação laica pois, a partir do afastamento da Igreja Católica como grande força política do cenário nacional, foi ocupando o lugar os representantes das outras igrejas cristãs, conhecidas como crentes, protestantes ou pentecostais. Verdadeiras máfias foram se proliferando, organizando e tomando conta do poder, hoje arregimentadas em bancadas incrustadas no legislativo em todos os níveis do poder, sempre formadas em torno de um determinado de habilidade incomum para esse tipo de formação social baseada em ideologia, nem sempre convencional. Daí as conseqüências que vão aparecendo no atravancamento das decisões legislativas no campo da genética, p.e., quer, e principalmente, nas isenções fiscais de instituições comandadas por esses grupos de religiosos, muita das vezes de finalidades obscuras, como por exemplo, a seita do reverendo Mun, dominando uma agremiação esportiva de magnitude empresarial na cidade de Sorocaba, atividades turísticas e agropecuárias na região do Mato Grosso do Sul e Paraguai, ou mesmo a Reino de Deus, detentora de uma enorme rede de canais de rádio e televisão e mega templos de arrecadação astronômica. Como se não bastasse, os crentes invadiram os esportes com os tais atletas de Cristo, que nada mais são que jovens de formação incompleta ou deformada, a serviço de orientadores ditos como espirituais, travestidos de pastores. Essas e outras seitas disputam voto a voto as eleições e não é de graça. Atuando diretamente no poder, podem manipular todo o governo, puxando para seu lado todos que lhes interessam. São as famosas bancadas dos evangélicos. A França nos deu um belíssimo exemplo ao editar lei que proibiu nas escolas o uso de vestimentas que identifiquem os muçulmanos. Hoje, em minoria, amanhã poderiam perfeitamente estar tentando modificar os hábitos dos cidadãos comuns e pior, impondo sua religião da forma que são acostumados a fazer. O mesmo diga-se dos radicais que hoje infiltram-se em nossa sociedade como mensageiros de Cristo. Tentam impor suas normas, seus procedimentos, sua seita, sempre convencidos e querendo convencer serem os salvadores da pátria, os donos da verdade, os mensageiros de Deus.
Nota do Editor: Herbert José de Luna Marques [1939 - 2013], advogado militante em Ubatuba, SP.
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