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COLUNISTA
Herbert Marques
30/10/2004 - 16h00
Até onde vão as obrigações
 
 

Os homens públicos deveriam, pela função que ocupam, quer nos cargos eletivos quer nos de carreira, terem por formação profissional a obrigatoriedade de terminar aquilo que deram início, independentemente do tempo que lhe resta para permanecer em seus cargos. Eu explico. O prefeito atual enfrentou cobras e lagartos para asfaltar a cidade. Depois da batalha ganha, já na boca das eleições, começou em ritmo acelerado o asfaltamento das ruas centrais, dando a entender que cumpriria sua tarefa antes de ver seu mandato submetido às urnas, o que não conseguiu a nível de asfaltamento e de reeleição. Foi derrotado muito provavelmente tendo como um dos fatores o açodamento.

O que nos resta hoje? Uma cidade com asfaltamento completo em determinadas ruas, incompleto em outras e tantas mais ainda por fazer. Ao se observar máquinas paradas, tudo indica que ao prefeito derrotado está faltando o princípio básico de responsabilidade e obrigação para com o povo que o conduziu por duas vezes ao Poder Executivo, não o fazendo desta vez muito provavelmente por obediência ao princípio da alternância, tão saudável em qualquer democracia.

Já é hora do homem público ser consciente de suas obrigações e tê-las acima de qualquer paixão, por mais raizada que esteja a necessidade de ocupar o poder a qualquer preço para satisfação de seu ego. O compromisso assumido com o povo que o elege vai até o último dia em que deverá transmitir o poder para seu sucessor e essa responsabilidade é pública, é assumida perante a sociedade no dia em que passou a ocupar seu cargo e o voto de seus eleitores. Um homem público forjado com essas características deveria ser a regra, o que não acontece não só em Ubatuba, como por todas as partes desses rincões afora.

Pelo andar da carruagem ficaremos mais uma vez dessa forma. Cidade esburacada, pavimentação incompleta, total desrespeito para com os cidadãos que pagam seus impostos e esperam de seus homens públicos o mínimo de respeito. O cumprimento da sua obrigação como homem público, principalmente quando eleito pelo povo.

No dizer do popular: Ubatuba é uma cidade sem sorte.


Nota do Editor: Herbert José de Luna Marques [1939 - 2013], advogado militante em Ubatuba, SP.
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