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A mídia desta semana tem informação pra dar com pau, principalmente com relação aos dois monumentais convescotes que estão sendo realizados em Davos, o dos ricos, e em Porto Alegre, o dos pobres. A reunião de Davos começou em 1999 com grandes temas sobre o rumo dos mercados globalizados, participando deles as maiores autoridades do ramo em nosso universo capitalista. Hoje, contudo, já nem tanto, mesmo porque no último deles nosso exótico presidente teve o desplante de propor um imposto sobre fabricação de armamento para ser revertido em combate à fome nos países subdesenvolvidos. Foi o início do desvirtuamento da discussão central, qual seja, sobre o rumo da economia mundial. Sempre é bom lembrar que a riqueza das nações deve ser o eixo para o desenvolvimento de qualquer povo, premissa diversa da que propõe o combate à pobreza com esmolas e outros programas surrealistas (fome zero etc.). O pior de tudo isso é que nosso presidente, pelo que tudo indica, levará na algibeira a mesma arenga. O segundo convescote já é mais animado. São jovens, idealistas, cabeças ocas, descentrados da realidade, sonhadores e tudo o mais que a produção universal põe a disposição da sociedade, para discutir o rumo dos excluídos e a forma pela qual se pode chegar, se é que um dia se possa chegar, a participar do mundo dos ricos sem fazer força. Esse pessoal sonha com um mundo próximo do Olimpo dos deuses gregos. Muita festa, muito amor, nenhum suor. Se você quiser participar de uma festa de arromba, corra para Porto Alegre que ainda é tempo. A festa dura até o final da semana. Davos nem pensar. É um mundo de gente chata, séria, com cara de cansado, estressado e mais, somente fala coisa séria, com exceção do nosso presidente que irá participar dos dois, muito provavelmente com o mesmo discurso. Eta nordestino de sorte.
Nota do Editor: Herbert José de Luna Marques [1939 - 2013], advogado militante em Ubatuba, SP.
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