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COLUNISTA
Alexandru Solomon
26/03/2017 - 07h17
Lucy nos mistérios das finanças
 
 
Conversa (des)afinada

Hoje mesmo visitei Lucy. Não é o caso de repetir quem é Lucy. Recomendo a leitura do meu livro A VOLTA, para que aqueles que sentirem alguma dificuldade possam encontrar a solução desse enigma banal. Onde encontrar? Procurar o Bernardo, ele sabe.

Como ia dizendo, achei que era hora de encontrar a genial símia, como diria alguém conhecido. Estava ela mergulhada na leitura atenta do balanço da Telebrás. Imediatamente, sem mesmo ter a mais vaga ideia de quem era este invasor do CIL – sou obrigado a admitir que todos já sabem o que é o mundialmente famoso Centro de Integração da Lucy – ela manifestou incontida alegria por poder expressar algumas dúvidas.

Debalde minhas tentativas – infrutíferas, por óbvio – de lhe dizer que, jejuno nesse barato de finanças, balanços, ações e congêneres, pouco poderia dizer, dirigiu-me um olhar suplicante, ao qual sucumbi.

– Mas a Telebrás não foi extinta?

– Não, constituída em 1972, ela esteve adormecida e renasceu, para gáudio de todos nós, por força de um documento designado por uma sigla complicada que foi publicado no Diário oficial da União em 7/04/2011.

– Que legal!

– Trilegal como diriam meus amigos gaúchos.

– O problema é que não entendo nada de balanço.

– Nem eu.

– Vamos juntar nossas fraquezas, das quais uma força há de resultar.

– Essa fênix deve ser uma empresa lucrativa. Certo?

– Errado, Lucy. Ela acumulou alguns prejuízos. Nos últimos dois anos foram uns 500 milhões.

– E isso é muito?

– Depende. Outras empresas andaram acumulando prejuízos maiores...

– Tá bem, tá bem. Ela deve estar numa fase pré-operacional...

– Acho que sim. No ano passado suas receitas operacionais foram de uns 80 milhões, lá falam em receita bruta, e a líquida é menor, uns 56.

– Que é isso?

– Sinceramente, não sei o que é bruto e líquido. Suspeito que o líquido é o que sobra depois de espremer o bruto.

– Parece evidente. Mas seus funcionários dedicados irão reverter o quadro.

– Com certeza. Eles eram 364 em 2015 e agora são 400 imbuídos nesse mister. Mas não fique preocupada, somente em 2016 o acionista controlador aportou 685 milhões. Então relaxe.

– O que é acionista controlador?

– Acho que é aquele que controla...

– Ah, entendi. Voltando aos colaboradores, eles ganham bem?

– Tudo é relativo. Em 2016 as despesas de pessoal foram de uns 70 milhões, os serviços de terceiros outros 64 e os...

– Chega! Operacionalmente a empresa é deficitária. – o que poderia dizer eu, procurei desviar a conversa:

– Li em algum lugar, antes de você me arrancar o jornal que o maior salário entre dirigentes é de uns 38 mil por mês, mas o salário médio do pessoal é de uns 9300 reais. O menor é de 2200 e o maior...

– Não interessa, mas diga assim mesmo.

– 27 mil.

– E o que faz a Telebrás?

– Aqui diz que segue o PNBL – plano nacional de banda larga. É um backbone de mais de 22,000 km.

– O que é banda larga?

– Uma banda maior que a estreita, por onde trafega, o tráfego de dados.

– Trafega o tráfego, jamais teria imaginado isso!

– Meio pleonástico, desculpe.

– Backbone?

– Com esse problema da carne estou meio sem saber como explicar. Deve ser um osso das costas. Ou talvez o tronco maior a partir do qual saem derivações, para cobrir o território nacional Fico com essa segunda possibilidade.

– E o que mais faz a Telebrás?

– Em conjunto com uma empresa espanhola, um cabo submarino Brasil-Europa e o SGDC – antes que me pergunte Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, haverá 5 estações de acesso em operação. Vamos deixar a Bulgária roendo-se de inveja.

– Nunca antes nesse país...

– Na época da velha Embratel já...

– Tudo bem, vai me dizer que...

– Não me comprometa!


Nota do Editor: Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de “Almanaque Anacrônico”, “Versos Anacrônicos”, “Apetite Famélico”, “Mãos Outonais”, “Sessão da Tarde”, “Desespero Provisório”, “Não basta sonhar”, “Um Triângulo de Bermudas”, “O Desmonte de Vênus”, “Plataforma G”, “Bucareste”, “A luta continua” e “A Volta”. Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br.
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