|
As urnas eletrônicas brasileiras revolucionaram a maneira de se praticar a Democracia, tanto no Brasil quanto em diversos outros países. A facilidade da apuração, a diminuição de votos nulos por distração, a não utilização de papel, a economia e a praticidade que tudo isso representa. Isso tudo sem comprometer a segurança do resultado, como pudemos conferir depois de cinco, mas, principalmente, depois de três eleições totalmente automatizadas. Existem diversas pessoas que não concordam com isto e argumentam fortemente contra o uso desta tecnologia. Quando li a respeito da falsidade da divulgação, em rede nacional, da propaganda do TSE, que diz que as urnas utilizam-se de tecnologia 100% brasileira, procurei obter mais informações a respeito e acho que existem algumas coisas que precisam ser esclarecidas. Neste final de semana, fui visitar o CTA (Centro Técnico Aeroespacial), em São José dos Campos (SP), que promovia um grande evento em comemoração ao Dia da Aviação Civil, com exposições e, principalmente, a apresentação da excelente Esquadrilha da Fumaça. É bom ressaltar que esta equipe de aviadores representa outro orgulho brasileiro, filhos de outro orgulho, Alberto Santos Dumont. Enfim, o assunto não era este, mas, em uma das exposições, havia uma urna eleitoral com o gabinete transparente para que os visitantes pudessem ver seu interior e, como já estava curioso a respeito deste assunto fui analisá-la a fundo. A urna usa um aparato computacional muito parecido com os computadores pessoais (PCs) que usamos em nossas casas e escritórios. Como é um computador que tem uma finalidade específica, sua placa-mãe (principal placa de um computador) tem uma estrutura adaptada às suas necessidades. Por exemplo, não são necessários slots para placas de expansão (encaixes onde são colocadas placas extras, como placas de som, rede ou fax-modem). Há apenas um slot IDE (onde são colocados os discos rígidos, drives de CD e outros leitores de mídia que, normalmente, são dois nos computadores convencionais) para o cartão de memória. Enfim, a placa-mãe foi criada especialmente para função que exerceria, a de urna eletrônica. Este projeto, a montagem e demais processos da linha de produção de mais de 450 mil urnas foi elaborado por técnicos e engenheiros brasileiros, com apoio do ITA, CTA e Embraer (outro orgulho brasileiro). A industrialização ficou a cargo da brasileira Procomp, subsidiária da americana Diebold International. Os componentes eletrônicos são de fabricação brasileira, com exceção dos que não são fabricados no Brasil. O processador, por exemplo, foi produzido pela americana National Semiconductors, que foi recentemente (em julho de 2003) comprada pela também americana AMD (Advanced Micro Devices). O modelo é o Geode GXLV 200P, que é o "genérico", por assim dizer, do Pentium 200MMX, da Intel. A escolha, claramente, foi em função do custo, pois a Intel não fabrica mais estes chips e cobrariam, mesmo que fabricassem, provavelmente, o dobro do preço. Os outros componentes eletrônicos devem ter seguido o mesmo critério quando da compra. O fato da urna brasileira conter tais componentes fabricados no exterior não faz com que ela deixe de usar tecnologia 100% brasileira. Seria como dizer que o Super Tucano T-27 (avião usado pela Esquadrilha da Fumaça), de produção totalmente brasileira, não pode ser classificado como produto 100% nacional porque usa algumas peças de origem estrangeira que não são fabricadas no Brasil. Acontece que seria impossível criar uma empresa do porte destas estrangeiras para fabricar "alguns" processadores apenas. Seria inviável economicamente. Parte I · Parte II · Parte III
|