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Opinião
24/10/2004 - 07h02
Urna eletrônica: orgulho brasileiro, sim - III
Álvaro Gonçalves
 

Vamos imaginar um plano rápido para fraudar a urna:

Podemos convencer os funcionários da Justiça Eleitoral que façam as mudanças necessárias ao programa da urna, de forma que, logo depois da emissão da zerézima, compute votos a determinado candidato. Mas esta mudança tem de prever que os votos que serão computados realmente precisam ser cancelados porque senão o número de votos superaria o número de votantes na seção. Este mesmo programa deveria derrubar o sistema de segurança do hardware, o que representa uma mudança significativa no programa, que depende de diversos técnicos altamente qualificados, conhecedores profundos do sistema, que não se dobrariam por ofertas pífias. Seria muita grana para comprar todo mundo envolvido numa eleição municipal, incluindo juízes e promotores, para que façam "vista grossa". Numa eleição nacional, então, nem se fala. Ficaríamos amarrados com todos estes que poderiam, a qualquer momento, abrir a boca, como fez o Pedro Collor (lembram-se?).

Para não envolver estes técnicos, seria necessário um meio físico (um disquete, por exemplo) para alimentar informações na máquina. Como a urna é fisicamente lacrada pela Justiça Eleitoral, não há como introduzir um disquete nela. Se o lacre for rompido, a urna é impugnada. Então pensaremos em outro processo para enviar informações para a urna. Um celular, por exemplo. Isso só poderia ser feito depois da emissão da zerésima. Para que desse certo, o celular precisaria acionar algum dispositivo eletrônico interno da urna para que os dados fossem recebidos. Como a urna não possui nenhum componente eletrônico de recepção ou transmissão de dados, esta comunicação só seria possível se fizéssemos com que um componente eletrônico continuasse a funcionar da maneira convencional e, ao mesmo tempo, realizasse outra tarefa, recebendo os dados, sem sequer uma antena (o celular deverá estar muito próximo da urna, então). O sistema de segurança do software faria a urna travar e o máximo que poderia acontecer seria a perda dos votos computados e a inutilização da urna, fazendo com que ela fosse trocada por uma outra. Então partimos para outra estratégia. Trocar os disquetes, logo depois do término da votação e da emissão do Boletim de Urna. Matamos todos os ocupantes do carro que transporta as urnas e trocamos os disquetes por disquetes gravados num sistema idêntico ao do TSE, para manter a criptografia. Mas são quatro cópias do Boletim de Urna que estão na mão de quatro não-sei-quem, fiscais de partido, que usarão estes boletins para apurar qualquer possibilidade de irregularidade, com exceção de todos que já estão sabendo e são coniventes com a falcatrua. E as urnas? Teríamos que trocar o cartão de memória (que está instalado na porta IDE (lembra?), dentro da máquina). Chave "Phillips" e muita experiência para trocar a peça rapidamente antes que a polícia chegue para averiguar o que está acontecendo e, não se esqueça, sem romper o lacre da Justiça Eleitoral. Bom, todo esse trabalho para fraudar uma urna... desisto.

A sugestão de se criar um sistema para impressão do voto e introdução numa urna convencional seria uma alternativa para acabar com qualquer tipo de crítica ao sistema de eleições brasileiro, tornando possível a recontagem de votos, em caso de qualquer suspeita. Afinal de contas, se formos ver possibilidades de fraude no sistema eleitoral automatizado, podemos começar a procurar diversas falhas e o quanto o sistema de votação convencional é também passível de falhas.

As entidades americanas que criticam o processo eleitoral brasileiro poderiam se preocupar mais para que, nas próximas eleições presidenciais naquele país, não haja tanta incerteza sobre o resultado, como ocorreu na última. Talvez se o Al Gore tivesse ganhado (perdeu por poucos votos, na recontagem, quase 20 dias depois da eleição, com muitas acusações de fraude e nenhuma certeza sobre a autenticidade da vitória do Bush), não tivéssemos passado pela guerra do Iraque, por exemplo, além de outras coisas que mudaram irremediavelmente a vida de muitos seres humanos, americanos ou não. Bom, é melhor que os americanos metam o bedelho em seus próprios problemas, que são muitos.

O relatório da Unicamp resume: "O sistema eletrônico de votação implantado no Brasil a partir de 1996 é um sistema robusto, seguro e confiável atendendo todos os requisitos do sistema eleitoral brasileiro (...)".

Enfim, ainda temos muito do que nos envergonhar do nosso país, infelizmente. Mas há também muito do que se orgulhar.

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