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COLUNISTA
Mateus Modesto
10/12/2008 - 12h00
T. I.
 
 

- É verdade. Por que mentiria para você?
- Não sei. Para me impressionar, talvez.
- Não preciso disso. Basta eu dizer meu salário.

Ela não riu. Ele ficou envergonhado.

- Desculpe-me! Eu não quis ofender. Foi uma piada.
- Sei que foi uma piada. Mas não entendi.

Ele coçou a cabeça. E o queixo. E a testa. Assoviou e cantarolou. Tudo para não se questionar o porquê da insistência em conquistar aquela garota. Bonita e de belo corpo. Sim. Mas nada de interessante quando abria a boca. Uma balança em desequilíbrio. Contudo, ganhava a beleza.
A música ao fundo convidava casais ao salão. Ele ficou receoso. “Será que ela dança em par? Será que curte pagode? Que faço aqui?”.

- Quer dançar?
- Não. Eu sei cantar. – enfática.

Ele ficou em silêncio, raciocinando.

- Quem não sabe cantar, dança!
- Aaaah! – ele quis se matar.

A música corria sozinha. Ele desejava uma dança. Ao menos uma. Nada mais. Dois passos, aqui-ali-aqui, gira-um-dois-gira-três-quatro... amava dança de salão.
O refrigerante com gelo e limão que pedira já estava quente. A conversa estava desanimada. Uma mulher bonita, sem cérebro, é incompleta. Desejava sair, sem saber como.

- Sim... Você é programador.
- Isso.
- E qual programa você apresenta?
- Sou programador PHP.
- Qual canal???
- Entende de tecnologia de informação?
- Li algo sobre televisão digital no Brasil, mas não estou inteirada.
- Não é isso. Eu faço sites, sistemas, desenvolvo isso numa linguagem PHP.
- Ah! Quando era criança sabia isso.
- Mesmo? – interessou-se.
- Espera... Vopa cêpê épi umpo rapu pazpa inpe tepi respo sanpu tepa.
- Que é isso? – confuso.
- Bom, não lembro se era bem assim. A língua do P, menino!

Ele coçou o queixo, a testa, as bochechas. Apertou as mãos, inclinou a cabeça e fechou os olhos, como se rezasse. Contou, em silêncio, até 20. Respirou. Ouvia a música que tocava. Desejou expulsar o DJ dali.
Abriu os olhos. Observou a menina. Um sorriso bonito. Desejou esganá-la.

- Você usa internet, suponho. Acessa o Orkut, não é mesmo?
- Sim. Amo!
- Então, eu faço isso.
- Orkut?
- Site.
- Mas Orkut não é uma rede de relacionamentos?

A noite parecia conspirar contra ele. “Por que estava ali?”. Entrara naquele local para comer algo. Tudo acontece de uma forma inesperada, às vezes. E incompreensível.

- Sou web designer.
- Sou Carla Magnólia, prazer! Pensei que não me diria seu nome...

Ele levantou-se. Estendeu a mão e deu um romântico beijo em sua face. Agradeceu pela noite maravilhosa e interessante. Inventou uma desculpa, para que ela não se sentisse constrangida, e se encaminhou à porta. Saiu abismado. E não olhou para trás.


Nota do Editor: Mateus dos Santos Modesto é jornalista. Veja também em www.mateusmodesto.com.br.
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