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COLUNISTA
Rui Grilo
22/09/2014 - 09h06
Varal literário [em Ubatuba, SP]
 
 

Às vezes precisamos de muito pouco para proporcionar momentos de alegria e felicidade. O relato a seguir serve para ilustrar essa opinião.

Há uns quinze dias atrás fui ao Instituto da Árvore e logo depois chegou o serralheiro e me entregou os cavaletes. Coloquei-os de pé e conectei as barras formando uma bancada. Pequei três tábuas de compensado e improvisei uma mesa e a cobri com uma toalha.

Às nove horas a Suzete chegou para iniciar a oficina do Varal Literário. Perguntei a ela se não havia percebido nada. Ela passou os olhos pelo barracão e exclamou com os olhos brilhantes:

– Nossa! Você mandou fazer os cavaletes!!! Agora podemos circular pela cidade e fazer campeonatos em qualquer lugar.

Suzete Piovesan criou e desenvolve o Projeto “Varal Literário”, cujo objetivo é estimular o prazer de ler e escrever, incentivando os alunos a desenvolver o talento para a literatura, orientando-os quanto à composição, vocabulário, desenvolvimento do texto e sua capacidade de comunicação.

Uma das estratégias que ela usa para que as crianças desenvolvam o vocabulário e facilite a produção e entendimento de textos é o jogo de palavras-cruzadas. Para isso mandou fazer quadradinhos de madeira. Cada pecinha corresponde a uma letra ou algum sinal de pontuação. Cada jogo de peças tem mais de 120 peças porque há letras que usamos muito. Cada jogador recebe sete peças de cada vez e o desafio é formar palavras e, se possível, cruzá-la com outra palavra formada antes.

Cada peça tem um valor. As letras mais usadas valem menos. Assim, por exemplo, o “a” pode valer 1 e o “x” valer 12. Vence o jogador que fizer mais pontos. Para receber pontuação o jogador precisa saber o significado da palavra que ele próprio formou.

O jogo pode ser com palavras aleatórias ou pode ser temático, no qual só valem palavras relacionadas ao tema. Se o tema for eleições podem ser formadas palavras tais como: urna eletrônica, candidatos, política, debates, votação etc.

Quando surgem palavras novas, são registradas em um caderno, em ordem alfabética, com o respectivo significado. Assim vai havendo uma incorporação e ampliação do vocabulário de cada jogador envolvido.

Como o jogador só recebe pontos se a palavra estiver correta e se souber o significado, há uma pesquisa constante no dicionário e sobre as regras gramaticais.

Quando são jogadores experientes e que possuem um bom nível vocabular, são formadas muitas palavras, exigindo um espaço maior. Daí a necessidade de uma mesa maior. Como a idéia é fazer campeonatos em vários espaços, inclusive em lugares públicos, há a necessidade de uma bancada que seja fácil de transportar. Daí a alegria da Suzete, pois até agora a atividade ficava prejudicada pela falta dessas condições.

Além do Instituto da Árvore, essa oficina está sendo desenvolvida com alunos da Escola Municipal Madre Glória, situada no Parque dos Ministérios, o que permite a disputa entre as equipes.

No Instituto, tenho acompanhado o trabalho da Suzete com uma criança que está no início do processo de alfabetização. O desenvolvimento do processo de leitura, de formação de palavras e desenvolvimento vocabular tem sido espantoso, o que torna essa atividade um grande recurso para pessoas com dificuldades de leitura e escrita.

Um dos participantes concorreu no último concurso de poesia promovido pela FundArt (Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba) e ficou em terceiro lugar, dentro de sua categoria.

O desenvolvimento dessas habilidades fortalece a autoestima, tornando os participantes mais confiantes em si próprios e menos sujeitos à situações de vulnerabilidade e de marginalização.


Nota do Editor: Rui Alves Grilo é professor da rede pública de ensino desde 1971. Assessor e militante de Educação Popular.
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