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Era uma vez uma moça sempre vista e dita como a mais feia do lugar. Mocinha, era este seu nome, sofria muito com isso. Olhava-se no espelho e não entendia porque as pessoas a tratavam daquele jeito... -Tenho dois olhos, nariz e boca como todo mundo - pensava ela diante do espelho. Graças a Deus, posso ver as aves, montanhas, ruas, crianças, flores, todas as cores do mundo. Meu nariz é capaz de sentir os aromas, as fragrâncias da vida. Minha boca, além de me alimentar, como a todo ser vivo, ainda adora cantar. Com ela muitas vezes passo da medida. Será que sou tão diferente assim? Com o passar do tempo, quando algum preconceito a atingia e a tristeza e a indignação aumentavam, Mocinha, que era pessoa de fé, recorria àquela presença que estava no seu mais profundo ser. Entregava-se às suas orações e sentia brotar do seu íntimo uma sensação de paz e bem-estar. Muitas vezes ouvia uma voz que lhe dizia coisas do tipo: "- Não se importe com isso. Repare que quando você está feliz por ter percebido a presença de um pássaro e seus olhos brilham, todo o seu ser fica iluminado e belo" ou "- Todo o universo é criação de Deus e, portanto, tudo no mundo tem sua beleza. É preciso aprender a ver onde a beleza do mundo está"... E, como por encanto, toda a tristeza desaparecia e uma força nova surgia. Olhava-se de novo no espelho e via como ela era: uma pessoa que estava no caminho do bem! Certa vez lembrou-se daquela entrevista de John Lennon e Yoko Ono onde ele conta que a INGLATERRA TODA ficou contra o casamento deles e como todos referiam-se a ela como FEIA. Ele, indignado com o tamanho do preconceito do seu povo (o povo inglês!) ia falando e lá pelas tantas, olhando para ela, exclamou: - Imagina que besteira! ELA NÃO É FEIA! Yoko, então, retribuindo o olhar, soltou um belo sorriso... - É como mamãe dizia: feio é roubar, matar, trair, agredir. Graças a Deus sempre tem alguém que vê além das aparências - filosofou Mocinha, dando um pulinho, sacudindo as cadeiras e, fazendo voar a poeira, saiu cantarolando uma linda canção.
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