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Nesse fim-de-semana, fui assistir ao comício de um candidato que eu ainda não havia tido a oportunidade de prestigiar. Acho que todo cidadão que se preze deve, no mínimo, conhecer os homens que estão pleiteando cargos públicos. Pois bem: qual não foi minha surpresa ao constatar que o personagem principal do "evento" era uma moça seminua, com cabelo de boneca que ia até a cintura e um traseiro enooorme chacoalhando voluptuosamente, para o delírio dos adolescentes que se apinhavam frente ao palanque. O que ocorria ali, para uma grande platéia, era simulação de sexo explícito. Quando os candidatos entravam para se pronunciar, o que ocorria era uma debandada geral da frente do palanque e o locutor dizia, animado: Não saiam daí, que a Andréia Garcia já volta para apresentar a Dança da Manivela! Então, eu compreendi o seguinte: os meninos saiam da frente do palanque para visualizar melhor o telão, que continuava mostrando a loira, em diversos trajes que deixavam à mostra seu traseiro avantajado. Eu, que não sou careta, nem hipócrita, confesso que fiquei chocada. Talvez não pela loira em si, exibindo-se, esfregando-se e dançando com os meninos que subiam extasiados no palco. Afinal, pagode e loira do Tchan, temos aos montes. O que me indigna é a mistura insólita de política com sacanagem. Sei que a política no Brasil é pura sacanagem, mas para um candidato que propõe mudanças, isso não é um bom começo. A mídia já se encarrega de "emburrecer" a nossa juventude. Na nossa falsa liberdade de expressão, o que realmente importa não é divulgado. O pior é que os políticos gostam de cultivar a ignorância da nossa gente, para que não haja senso crítico, para que as pessoas não preencham suas mentes com pensamentos saudáveis, úteis à construção de uma sociedade mais justa. É, amigos... A ditadura continua. Tão cruel e mortífera quanto na época da Tropicália. Iludidos pela velha política do pão e circo, o povo se diverte com as bundas e come migalhas. Contenta-se com asfalto feito às vésperas da eleição e vende seu voto por cesta básica. Agora, faltando menos de uma semana para as eleições, ainda resta a esperança de que uma luz se abra nas trevas, que as pessoas não elejam a bunda mais bonita, nem o comício mais barulhento e nem o comprador compulsivo de votos. Vamos fazer valer a democracia e o privilégio que temos de votar! Lembrem-se que há pouquíssimo tempo nós não tínhamos esse direito. Depois que o conquistamos, à custa de sangue, suor e lágrimas (literalmente), muitas catástrofes aconteceram pela falta de consciência, análise e bom senso na hora de votar.
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